IGNORÂNCIAS DO CAPITAL
Se eu usar turbante sou imoral,
Mas se uso o quipá me idolatram,
Ou se tenho os disfarces do mal,
É porque os patrões me contratam.
Onde alguém pensar ter a razão,
Por não acreditarem na ciência,
Eu não acho que tenham coração,
Pois no ódio o amor é ausência.
Hoje o capital gera ignorâncias,
Ao gostarem do brilho das armas,
Que atingem de velho a crianças,
Destruindo o mundo com traumas.
Ninguém vai ser a boa semente,
Se plantarem só dor e tortura,
E não pensem num Deus coerente,
Sendo algozes da irmã criatura.
O universo não perdoa ou premia,
Então, não usem o nome de Deus,
Pois a vida só quer noite e dia,
Onde floresçam crentes e ateus.
Em verdade, ateus são melhores,
Pois não matam em nome de Deus,
E só querem que tu te consoles,
Sem dizer que o eleito é judeu.
Não há povo eleito e nem urna,
Que nos sirvam além da morte,
E o mar não assombra a viúva,
Que entende o que seja a sorte.
Mas o mundo é só esse estágio,
Que o tempo nos dá com energia,
Mas aceitem quem não é sábio,
Pois a vida é apenas fantasia.
Todos nós seremos como o ciclo,
O qual terá início, meio e fim,
E também não seremos discípulos,
Sob os salmos de algum serafim.
Já não creio em seus sacerdotes,
Quando descrevem as leis divinas,
Pois só querem ouro ou os dotes,
Ao usarem suas línguas ferinas.