PILHA E LANTERNA
Idolatram a bomba atômica,
E não sei se é um cogumelo,
Mas a morte será sinônima,
Se não vejo o sol amarelo.
Ninguém vai ouvir o réquiem,
Pois não seremos a humanidade,
E os rios eu creio que sequem,
Com o veneno e a insanidade.
É como briga de duas metades,
Onde os corpos estão umbigados,
E se um morre por comorbidades,
Logo o outro será castigado.
Tudo é como pilha e lanterna,
Pois só juntas terão serventia,
E não adianta viver na caverna,
Sem olhar nosso céu de agonia.
Aprendi que não como as moedas,
Nem o ouro do toque de Midas,
Porque morro sem água na goela,
E sem mais respeito com a vida.
Como irei ser um bom mercador,
Se eu mato os possíveis clientes,
Alegando fé, em nome do Senhor,
Sem a virtude de ser inocente.
De que vale eu ter presunções,
Se não tenho a mesa e o saleiro,
E não quero partilhar os pães,
Nem o galo que há no poleiro.
Ser aquele que despede o pobre,
Porque o quer como a meretriz,
Não lhe dá a virtude do nobre,
Que traz sombra e amor à raiz.
Não serão os escombros da guerra,
Que nos farão sermos invencíveis,
Mas o sofrimento que não encerra,
E nos faz querer sermos felizes.
Mas são sonhos da mente conecta,
Que se vale do que há nos outros,
Onde o amor é que tudo concerta,
E que pena, mas somos escrotos!