REFÚGIO É PAZ
O sono será sempre bálsamo,
Mesmo quando só há o chão,
Onde a terra é como abraço,
Porque dela é o mel e o pão.
Nesse mundo o sol é senhor,
Porque dele provém o planeta,
Mas a noite tem o seu valor,
Como fé, em Roma ou Meca.
Sempre haverão dia e noite,
Pois o sol nos doou seu luar,
E o vento que nos dá açoites,
Junto ao rio ou à beira-mar.
Mesmo quando estamos na serra,
Temos as matas e suas corujas,
E veremos os uivos da terra,
E o chamego de cada madruga.
Mas, se nosso refúgio for paz,
Nós seremos bálsamos de vida,
E teremos a certeza que traz,
O direito a uma vida bendita.
E quando a seiva é nutritiva,
Gera vida e nos dá esperanças,
Pra que não haja vida cativa,
E tendo o amor das crianças.
Mas essas propostas são sonhos,
Porque roubam até nosso azeite,
E as elites são feras sem donos,
Ao deixar-nos sem lar e deleite.
O azeite é tipo mãe palestina,
A qual o sionismo tanto inveja,
Como a vida de tez nordestina,
Revela as tragédias na terra.
Mas, se plantares nova semente,
Haveremos de extirpar o joio,
Que se espalha fácil e doente,
Porque louva o ódio em aboios.