SEGREDOS DA VIDA
Nascer indivíduo e sem pernas,
E também nem falar ou sonhar,
Suplicando no vão das arestas,
Entre os braços a amamentar.
É apenas o início das valsas,
Que darão tempero e acalanto,
Pois nascemos sem as calças,
Sempre nus e sob um pranto.
Nada ainda sabemos da vida,
Ou nem mesmo sobre a morte,
E até se a dose é a medida,
Ou iremos beber com a sorte.
Vamos ser o que outros querem,
Pois assim é que há o arbítrio,
Sendo presos ao que preferem,
Como o êxtase de cada conflito.
E assim vamos buscar um nexo,
Que responda por nossos atos,
Na vontade que gera o que peço,
Quando surge amor no contato.
Seguiremos na luta de espécies,
Sempre agindo sem nada saber,
Pois é tudo que não se conhece,
Registrado sem tempo de ler.
Nossas vidas estão encadeadas,
No passado de nossas origens,
E o resto são águas passadas,
Onde as quedas são vertigens.
Tudo isso são segredos da vida,
Pois estamos no meio do caos,
Navegando com o sol na medida,
Tudo enquanto subimos degraus.
Estaremos em outros andares,
No edifício das revoluções,
Se olharmos além dos mares,
Mas, sabendo que há ilusões.
Estamos num lapso de tempo,
Que nos cabe saber conviver,
Pois os dias irão com o vento,
Que semeiam ou fazem morrer.
Então, plante, adube e regue,
Suas vidas em cada dimensão,
Saiba como curtir cada reggae,
Que os bruxos tocam no verão.