BREVE PRESENÇA
A força que nos traz os cometas,
É um giro eterno para todos nós,
E os frutos dessas piruetas,
Entre sóis e satélites tão sós.
Mas somos essa breve presença,
Como ácaros na casca do ovo,
Que, ante o sol, se afugenta,
E com paciência vem o novo.
A eternidade é o que transpassa,
Meu ciclo de vida e vitalidade,
Que os dias e noites disfarçam,
Pois não são iguais na idade.
Tudo vai depender donde vivo,
Pois nascer é só mero aparte,
Quando há energia ou motivo,
Que diz o que seja uma arte.
Não estamos num vão de inércia,
Pois vamos com a terra e o caos,
E vou levando o sol da Pérsia,
Que é quase igual em Manaus.
Há quem pense em calendários,
Mas eles só servem à escravidão,
E a quem trabalha sem denários,
Ou onde as rosas são ilusão.
Também temos os saudosistas,
Querendo as cebolas do Egito,
E não sabem do Deus anarquista,
Ou não aceitam o que acredito.
São quem se acha dono da verdade,
E nunca enxergou nada no surto,
A não ser as escritas de Sade,
Pois os sádicos só querem luto.
Vejo povos e tiranias da fé,
Que não comungam da partilha,
E se acham fiéis a um papel,
Que propõe ser como forquilha.
Eles não querem a água encontrar,
Ou só buscam petróleo e riquezas,
Num genocídio de Gaza ao mar,
Mas os porcos irão para a mesa.
Acho graça de quem isso ignora,
Ao dizer quem é Deus ou o Diabo,
E não sabem o segredo ou a mora,
Entre o bem e o mal desejado.