CORAGEM OU MEDO
Mesmo quando me querem morto,
O mundo me diz que eu presto,
E, assim, eu sou bicho solto,
Que vai pelo Nilo num cesto.
Ele vê os crocodilos e sorri,
Porque eles não lhe dão medo,
Sabendo a força do bem-te-vi,
Com seu canto desde bem cedo.
Mas também lembro das sabiás,
Que ficavam ali, onde se abraçam,
Com o assum preto a desafiar,
Em melodias que lhes disfarçam.
A voo das aves é pelos hortos,
Ou em meio aos campos abertos,
Onde o vento lhes dá conforto,
Mas a liberdade tem desafetos.
Quando penso ser livre é tarde,
Pois estou bem diante ao porão,
Que não me solapa só a metade,
Mas o inteiro de minha emoção.
Eu, que andei entre as serpentes,
Sei o quanto essa vida é aflita,
Pois a verdade do ego é ausente,
Onde o ódio e o amor se conflita.
Nesse mundo há o doce e o azedo,
E também somos versões humanas,
Onde alguns são coragem ou medo,
Mas há quem só venda bananas.
E o homem devora outro homem,
Porque mata querendo sua alma,
Mas não lembram do dia de ontem,
Muito menos o que gera trauma.
É preciso termos nova proposta,
Porque assim manteremos a vida,
Mas não vale uma casa de aposta,
Só as leiras sem a cerca viva.