ELOS E O MARCO ZERO
Uma casa sempre quer móveis,
Mesmo antes de morar alguém,
Mas se couber os automóveis,
Não haverão linhas de trem.
Quando a vida era mais simples,
Nos bastavam termos a choupana,
Ou a nau dos contos de Ulisses,
Onde o vento levava à Toscana.
Mas o mundo de hoje é veloz,
E o nosso quintal é sem muro,
Pois da casa se ouve a voz,
De quem só viverá no futuro.
As mudanças nem querem um cais,
Pois o nosso navio é satélite,
Mas com ele eu sonho bem mais,
E, como a cobra, troco de pede.
Estamos todos reféns do robô,
E ninguém mais conhece vizinhos,
Se na esquina tem só predador,
Ou as drogas e os descaminhos.
O ocidente quis o capitalismo,
Onde se iludem com a sobremesa,
Mas o suor é a chave do abismo,
E os palácios são da nobreza.
A cada dia geramos mais ricos,
Mas somente de certas famílias,
Que mantêm os servos e brincos,
Do jeito que age uma quadrilha.
E assim geram elos e moscas,
Ou um marco zero do iceberg,
Pois gera "besos" nas zonas,
Que são reais e todos seguem.