ALÉM DAS MURALHAS
Os idiotas não enxergam as cores,
Porque são desnudos de cognições,
Nem ao menos pra sentir as dores,
Quando deturpam as suas visões.
Nessa vida só temos uma morada,
Que é esse planeta ou arremedo,
Mas ele não tem a tal muralha,
Desejada por quem sente medo.
Todos sabem de antigos impérios,
Que findaram depois das muralhas,
Não que sejam apenas mistérios,
Mas há quem fugiu das batalhas.
Temos que enxergar mais além,
Como um mago olha pro futuro,
Ou quem não vai a Jerusalém,
Porque lá tem um lado obscuro.
Esse mundo nunca terá donos,
Porque aqui se morre e sofre,
E não se foge de camundongos,
A não ser quem viva num cofre.
Mas o cofre é pra ter o ouro,
Que não vai saciar sua fome,
Quando ela é um sangradouro,
Onde os corpos são do homem.
Mesmo assim constroem muralhas,
Seja em Roma, Gaza ou América,
Que servem ao riso das gralhas,
Ou aos corvos de fama colérica.
A única certeza são os idiotas,
Entre os ricos e sem pundonor,
Porque esses são como janotas,
Que nada sabem sobre o valor.
Valoram apenas o que não abraça,
Pois um bilionário é ganancioso,
E pensa que ouro mata a traça,
Que há de comer até o tinhoso.