CURVAS NA JORNADA
Resolvi sair numa jornada,
Quando as nuvens se abriam,
E botei meus pés na estrada,
Ou seriam pneus que rugiam.
Pisei fundo no acelerador,
E o tempo fugia mais cedo,
Pois as marchas iam a vapor,
E os cavalos sentiam o medo.
Vieram as curvas pela frente,
Mas não saímos pela direita,
Que levavam até as correntes,
Como fossem lugares de seita.
Então, continuei indo adiante,
E busquei a curva da esquerda,
Onde achei um lugar verdejante,
Tão suave com o toque de seda.
Cada lado da estrada convida,
Mas eu quero ter acostamento,
Pois abaixo ou logo em cima,
Dá o nível do meu sofrimento.
Meu consolo é minha consciência,
Que pauta os meus atos terrenos,
Pois aceito e vou com a ciência,
Mesmo que eu esteja morrendo.
Essa estrada tem muitos sinais,
E as setas que indicam caminhos,
Mas eu sei que veloz ela trai,
Como alguém se fere em espinhos.
Minha regra é poder conviver,
Desde quando todos se tolerem,
Onde o ódio não possa vencer,
E o amor nos abrace e opere.